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A aquacultura é o agro-negócio que apresenta a maior taxa de crescimento à escala mundial. Esta atividade enfrenta o desafio de assegurar a produção sustentável de proteína animal através da inovação e otimização do processo produtivo, da utilização de fontes alternativas de matéria-prima e de uma maior integração económica, ambiental e social. O potencial associado ao cultivo ao largo (offshore) de organismos marinhos contribuirá para a mudança dos atuais paradigmas de produção, permitindo assim uma ocupação responsável de um domínio ainda subaproveitado.

A implementação de sistemas de recirculação de água permite a deslocalização da produção para longe de zonas sensíveis, diminuindo assim a pressão humana sobre estas áreas e mitigando conflitos de interesses por ocupação de espaço., assim como pode igualmente permitir a implementação de regimes de produção super-intensivos próximo dos centros de consumo e/ou expedição, simplificando assim a logística do transporte, permitindo desta forma ao consumidor o acesso a um peixe ultrafresco e a preços razoáveis.

A afirmação da aquacultura multitrófica integrada terá igualmente um papel fundamental no aumento da eficiência económica e ambiental desta atividade económica, permitindo “transformar” atuais resíduos/desperdícios em matérias-primas de valor acrescentado para outras atividades afins, reduzindo ou mesmo eliminando impactos ambientais, normalmente associados a este setor, e respetivos custos de mitigação.

O Brasil conta com uma das maiores reservas mundiais de água doce, cerca de 12% do total de água doce do planeta, grande parte a temperaturas tropicais e subtropicais, favorecendo o crescimento dos organismos, contando ainda com uma das maiores biodiversidades ictiológicas, pelo que se posiciona como um dos países com maior potencial aquícola de espécies de água doce. Possui, ainda, uma costa com mais de oito mil quilómetros de extensão. Ou seja, o Brasil tem todo o potencial para se posicionar como um dos maiores produtores aquícolas do mundo, de peixes, crustáceos, moluscos, algas, etc.

A necessidade de diversificar a fonte de proteína e óleos essenciais para a formulação de rações, a par com a melhoria do “fator de conversão” são alguns dos maiores desafios da aquacultura do século XXI. Deverá ser dada prioridade a fontes de nutrientes que não possam ser utilizadas diretamente para consumo humano, devendo merecer destaque a valorização de subprodutos de outras atividades e compostos produzidos por microrganismos em ambiente controlado. A inovação tecnológica inerente à deteção e tratamento de doenças, assim como para a rastreabilidade dos produtos de aquacultura, será fundamental para um aumento da produtividade e da segurança alimentar. Em resumo, a anunciada revolução azul enfrenta atualmente o desafio de corresponder às expetativas criadas e de se tornar mais verde, contribuindo para uma mais alargada, mais sustentada e melhor fonte de proteína para a população humana.

Neste seminário de um dia, Aquacultura e Pescas - Oportunidades de Negócio, Portugal - Brasil, com a participação dos mais altos responsáveis governamentais de ambos os governos, nomeadamente os ministros que tutelam este setor, serão apresentados vários casos de sucesso em ambos os lados do Atlântico, bem como as várias possibilidades de apoio e financiamento a este setor económico, em Portugal e no Brasil, buscando um crescimento sustentado e a valorização económica e social da Aquacultura.